7 de abril de 2014

A cena era tão incomum que pedia que eu me sentasse em frente para observar. A vida anda tão corrida, com tantos compromissos e desilusões, que poucos são os que param para apreciá-la. Mas aquele convívio a ser visto era tão enlaçado que me abraçava de longe. Ela era uma doce senhora no alto de seus 80 anos e ao seu lado uma criança, que acreditei ser seu neto, com uns 10 anos. Há 70 anos atrás, aproximadamente, ela devia ter a idade dele. Seu olhar cheio de recordações acalorava o menino que lia um livro. A praça já não era a mesma, muito menos suas companhias, mas a história se repercutia por suas gerações e a senhora não conteve as lágrimas. O menino olhou para ela, após ouvir o soluço, e ela retribuiu com um sorriso tão ingênuo como se tivesse apenas 10 anos. Ele fechou o livro e os dois começaram a conversar. Durante os cinco minutos seguintes fizeram isso, abraçados, até eu ter que sair para cumprir mais um compromisso, aqueles da vida tão corrida. Contudo, agora eu estava acolhida por aqueles tais desconhecidos que resistimos tanto em não ver. 

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