16 de outubro de 2013

Incômodo comum

A rua do patrão e do empregado
Inquieta fica na saída do trabalho
E o suado e batalhado
Vai embora num só penar

Arroz. Feijão. Mistura.
Substancial figura
Às cinco horas vai tomar a criatura
Café para conseguir madrugar

Lotação no vagão
Mas João
Continua sendo apenas mais um a vagar

Mas o coração,
De João
Continua sendo apenas mais um que já quer descansar

9 de outubro de 2013

Desconstrução do olhar

   Minha paixão pela fotografia começou há um bom tempo atrás quando ganhei minha primeira câmera. Sua função era muito maior que registrar momentos, ela era usada em meu maior hobby da época, fotografar a natureza. Entre brincadeiras e inúmeras tentativas o tempo foi passando e no início desse ano fiz um curso de introdução a fotografia. Quando entrei e fui questionava sobre o porquê de estar ali só soube dizer que era para entender o funcionamento da máquina e conhecer as técnicas - mal sabia onde isso poderia parar. As aulas iam passando e cada vez mais vidrada e interessava eu ficava. Até agora não tirei fotos de 15 anos e também não fiz nenhum catálogo, mas guardo tantos ensinamentos...

   "Muitas fotos de poucos assuntos", repetia incessantemente meu professor. À ele devo muita coisa, meus longos seis meses de férias passaram mais rápidos entre gravações e Premiere... Além disso, é um cara incrível que me pôs para refletir sobre muita coisa, obrigada Eddie.

   Após isso o tempo passou, as aulas começaram e a câmera ficou em um canto sempre a espera de ser utilizada. Um dia desses parei em frente a grade da janela e comecei a observar e buscar um ângulo que gerasse uma boa fotografia. São 17 anos olhando para o mesmo objeto, se assim posso dizer, e nunca havia parado para observar as mil possibilidades que ela me proporcionava. Diante disso, pus-me a continuar a olhar e entreolhar. Em distintos dias e diversos cliques, resultaram seis fotos que com carinho as apresento...
(Acesse meu flickr e veja essas e outras fotos)

   Não escrevi isso a toa. Quis chegar a esse importante ponto que trabalho em minha mente desde o fim do curso. Desconstrução do olhar. Desconstrução do hábito, do provável, do esperado... Assim como me coloquei em uma posição diferente do comum em relação a grade, tente pensar como anda sua vida e se essa realidade tem sido posta em prática. Não é meu interesse ficar dando lição de moral, conselhos ou algo do tipo. Gostaria de repassar esse estímulo a outros. Portanto, se você nunca parou para refletir sobre, talvez seja a hora. Comece desconstruindo seu pensamento, estereótipos e repensando aquelas informações que são passadas a você e absorvidas imediatamente. Observe os lugares e valorize as emoções e histórias que neles estão agregadas, assim como em suas amizades e família. A ideia fica cada vez mais incorporada a você e sem perceber você passa a buscar o novo dentro de algo monótono e habitual. O exercício é fácil e colabora para a construção de uma nova e finita vida - até você reconstruí-la e concluir que esse é um dos seus lados positivos.


Playlist da criação
(Para quem tem vontade de conhecer um pouco do que eu escuto, aí vai...)
Sambinha Bom - Mallu Magalhães
Desmentindo a Despedida - Vanguart
Demorou Pra Ser - Vanguart
Por Que Nós - Marcelo Jeneci
Vou Mandar Pastar - 5 a Seco
Elephant Gun - Beirut
Por Botafogo - Cícero
Eu não tenho um barco, disse a árvore - Cícero
Imaginário - Markus Thomas
Oh my love, my love - Paulinho Moska
Por Causa Dela - Passo Torto
Como Nos Meus Sonhos - Phill Veras
Shot - Pitanga em pé de Amora
Translúcidos pedaços de algodão
Que apesar de estarem longe
Confortam os anjos

Translúcidos pedaços de algodão
Que apesar de não forrarem o azul
Constituem o local mais estrelado

Translúcidos pedaços de algodão
Que ao se deslocarem
Dão forma ao mais belo - e iluminado - sorriso

Acalenta corações
Incendeia a paixão
Tão bela sob inúmeras feições
Tão singela sob translúcidos pedaços de algodão

6 de outubro de 2013


Escrevi isso há um tempo e agora relendo algumas coisas achei esse escrito e rapidamente liguei uma música a ele. Aperte o play e leia. 



    De que adianta colocar a cabeça no travesseiro se instantaneamente e instintivamente entrarei em um estado em que não me controlo. Não me imagine em um quarto branco batendo nas paredes porque isso seria o paraíso. Tudo acontece dentro da minha mente com várias salas de cinema onde os filmes passam. A vontade é de assistir a todos ao mesmo tempo. Seu olhar, sua escrita, seu jeito de falar, seu que sou eu. Perco-me em mim mesma nessa frustrante tentativa, enlouquecida utopia. Pego o telefone, penso em te ligar, mas prefiro ver nossas fotos. Questiono-me porque são tão poucas e lembro de como preferíamos gastar nosso tempo com outras coisas. Não se pode mexer no celular dentro do cinema, portanto desligo. Volto a ver as cenas e quero sair desse quadrado escuro. Futuro. Passado que é mais presente do que está acontecendo agora. Deletérias lembranças que não se apagam apesar das diversas tentativas. Já são quase seis horas e a casa já acorda, enquanto isso eu acordo brutalmente e a lágrima é marca de tudo o que aconteceu nessa noite, ou dia? Eu já não sei mais. Vou descansar deitada na cama colocando a cabeça no travesseiro e instantaneamente e instintivamente eu vou te encontrar para contar o que se passou.

28 de setembro de 2013

Corpo manchado
jogado no chão
Estilhaços
de dor e amor

Petrificado ficou
ao ver o outro corpo
                               sua metade
no relento
ao lado de outro corpo
                                 sedento

Jogou-se
Pintou-se de vermelho
Para mostrar que o amor ressuscitou
No corpo que sobrou

26 de setembro de 2013

O lado bom do aleatório

    Quando sobra um tempo entre chegada e partida, provas e trabalhos busco ouvir música. Na verdade ela é que me chama para o seu mundo. Quem se distrai fácil é naturalmente domado pelo som do violão, pandeiro ou bateria. Vou indo e quando vi, adeus leitura. O comum nesses momentos é possuir a vontade de ouvir aquela música ou voz específica. Escolho e aperto o play. O álbum inteiro toca e depois a vida volta ao normal. Nunca fui fã do botão aleatório, sempre acreditei na premissa de que a pior canção iria tocar na hora errada...

    Belo dia ativei o misterioso aleatório. Talvez fosse uma dia de sorte. Talvez fosse um dia normal. A primeira música começou e sendo essa a escolhida não havia como decepcionar. Três, quatro minutos e bum! Essa música! Que dia especial ela me lembra! Mais um tempo e toca outra que me faz recordar do inesquecível show. E por aí foi... E por aí vai...

     Remediar para que? Se estiver ruim é só passar. Descobri no aleatório um motivo de felicidade. Como um encontro imprevisto com um velho(a) amigo(a), um beijo inesperado e um abraço apertado. Aliás, Tibério Azul comentou há poucos dias sobre a música presente em um abraço apertado, segue o link.

    De aleatório talvez nada ele tenha. Claro que manter músicas que você goste, para momentos bons ou ruins, é essencial. Sua mente controlará a recepção de cada surpresa da melhor forma. Quem sabe seu dia não torna-se mais vivo por conta de uma surpresa musical?

    Afinal, música guarda histórias, música guarda vidas!

24 de setembro de 2013

Durante umas semanas um livro de poesias do Mário Quintana vem me acompanhando. E dele se extrai...

Noturno citadino

Um cartaz luminoso ri no ar.
Ó noite, ó minha nêga
toda acesa
de letreiros!... Pena
é que a gente saiba ler... Senão
tu serias de uma beleza única
inteiramente feita
para o amor dos nossos olhos

Mário Quintana