20 de outubro de 2013

Pelo simples fato de existir
desapareço entre as minhas vielas
Aquelas que você tanto tentou invadir
E feito isso,
coloco-me no local mais remoto
Desfaço-me em feixes de luz
que alcançarão grandes velocidades
até voltarem as vielas
[tão singelas
E como luz, me conduzirei ao brilho eterno
Que é findável quando te vê
Breu meu
Nosso vazio
Tão escuro aos seus olhos
Tão iluminado aos meus
De nada teria adiantado
Se o fim daquela noite
Tivesse sido distinto

De nada teria adiantado
Se seus olhos não
Tivessem se encontrado com os meus

De nada teria adiantado
Se eu em silêncio tivesse ficado

Adiantaria
Se eu nada
Tivesse escrito
                     pensado
                                fortalecido
naquele mundo que só eu tenho acesso
                     "A poesia é tão vital para mim que ela chega a ser o
                      retrato de minha vida. Portanto, julgar minha poesia
                      seria julgar minha vida. E eu me considero um ser tão imperfeito..."

                                                                                             Vinicius de Moraes

16 de outubro de 2013

Incômodo comum

A rua do patrão e do empregado
Inquieta fica na saída do trabalho
E o suado e batalhado
Vai embora num só penar

Arroz. Feijão. Mistura.
Substancial figura
Às cinco horas vai tomar a criatura
Café para conseguir madrugar

Lotação no vagão
Mas João
Continua sendo apenas mais um a vagar

Mas o coração,
De João
Continua sendo apenas mais um que já quer descansar

9 de outubro de 2013

Desconstrução do olhar

   Minha paixão pela fotografia começou há um bom tempo atrás quando ganhei minha primeira câmera. Sua função era muito maior que registrar momentos, ela era usada em meu maior hobby da época, fotografar a natureza. Entre brincadeiras e inúmeras tentativas o tempo foi passando e no início desse ano fiz um curso de introdução a fotografia. Quando entrei e fui questionava sobre o porquê de estar ali só soube dizer que era para entender o funcionamento da máquina e conhecer as técnicas - mal sabia onde isso poderia parar. As aulas iam passando e cada vez mais vidrada e interessava eu ficava. Até agora não tirei fotos de 15 anos e também não fiz nenhum catálogo, mas guardo tantos ensinamentos...

   "Muitas fotos de poucos assuntos", repetia incessantemente meu professor. À ele devo muita coisa, meus longos seis meses de férias passaram mais rápidos entre gravações e Premiere... Além disso, é um cara incrível que me pôs para refletir sobre muita coisa, obrigada Eddie.

   Após isso o tempo passou, as aulas começaram e a câmera ficou em um canto sempre a espera de ser utilizada. Um dia desses parei em frente a grade da janela e comecei a observar e buscar um ângulo que gerasse uma boa fotografia. São 17 anos olhando para o mesmo objeto, se assim posso dizer, e nunca havia parado para observar as mil possibilidades que ela me proporcionava. Diante disso, pus-me a continuar a olhar e entreolhar. Em distintos dias e diversos cliques, resultaram seis fotos que com carinho as apresento...
(Acesse meu flickr e veja essas e outras fotos)

   Não escrevi isso a toa. Quis chegar a esse importante ponto que trabalho em minha mente desde o fim do curso. Desconstrução do olhar. Desconstrução do hábito, do provável, do esperado... Assim como me coloquei em uma posição diferente do comum em relação a grade, tente pensar como anda sua vida e se essa realidade tem sido posta em prática. Não é meu interesse ficar dando lição de moral, conselhos ou algo do tipo. Gostaria de repassar esse estímulo a outros. Portanto, se você nunca parou para refletir sobre, talvez seja a hora. Comece desconstruindo seu pensamento, estereótipos e repensando aquelas informações que são passadas a você e absorvidas imediatamente. Observe os lugares e valorize as emoções e histórias que neles estão agregadas, assim como em suas amizades e família. A ideia fica cada vez mais incorporada a você e sem perceber você passa a buscar o novo dentro de algo monótono e habitual. O exercício é fácil e colabora para a construção de uma nova e finita vida - até você reconstruí-la e concluir que esse é um dos seus lados positivos.


Playlist da criação
(Para quem tem vontade de conhecer um pouco do que eu escuto, aí vai...)
Sambinha Bom - Mallu Magalhães
Desmentindo a Despedida - Vanguart
Demorou Pra Ser - Vanguart
Por Que Nós - Marcelo Jeneci
Vou Mandar Pastar - 5 a Seco
Elephant Gun - Beirut
Por Botafogo - Cícero
Eu não tenho um barco, disse a árvore - Cícero
Imaginário - Markus Thomas
Oh my love, my love - Paulinho Moska
Por Causa Dela - Passo Torto
Como Nos Meus Sonhos - Phill Veras
Shot - Pitanga em pé de Amora
Translúcidos pedaços de algodão
Que apesar de estarem longe
Confortam os anjos

Translúcidos pedaços de algodão
Que apesar de não forrarem o azul
Constituem o local mais estrelado

Translúcidos pedaços de algodão
Que ao se deslocarem
Dão forma ao mais belo - e iluminado - sorriso

Acalenta corações
Incendeia a paixão
Tão bela sob inúmeras feições
Tão singela sob translúcidos pedaços de algodão

6 de outubro de 2013


Escrevi isso há um tempo e agora relendo algumas coisas achei esse escrito e rapidamente liguei uma música a ele. Aperte o play e leia. 



    De que adianta colocar a cabeça no travesseiro se instantaneamente e instintivamente entrarei em um estado em que não me controlo. Não me imagine em um quarto branco batendo nas paredes porque isso seria o paraíso. Tudo acontece dentro da minha mente com várias salas de cinema onde os filmes passam. A vontade é de assistir a todos ao mesmo tempo. Seu olhar, sua escrita, seu jeito de falar, seu que sou eu. Perco-me em mim mesma nessa frustrante tentativa, enlouquecida utopia. Pego o telefone, penso em te ligar, mas prefiro ver nossas fotos. Questiono-me porque são tão poucas e lembro de como preferíamos gastar nosso tempo com outras coisas. Não se pode mexer no celular dentro do cinema, portanto desligo. Volto a ver as cenas e quero sair desse quadrado escuro. Futuro. Passado que é mais presente do que está acontecendo agora. Deletérias lembranças que não se apagam apesar das diversas tentativas. Já são quase seis horas e a casa já acorda, enquanto isso eu acordo brutalmente e a lágrima é marca de tudo o que aconteceu nessa noite, ou dia? Eu já não sei mais. Vou descansar deitada na cama colocando a cabeça no travesseiro e instantaneamente e instintivamente eu vou te encontrar para contar o que se passou.