29 de agosto de 2013

Rotina

Instante em que o sol não aparece
Minha alma enobrece
Efêmera disposição
            e satisfação
O silêncio da rua
Ruído interno
A leitura está leve
As palavras se conectam
O arranjo invade seu lugar
O sol está por nascer
Entorpecida
Inativa

22 de agosto de 2013

Sexta-feira

Fica aí que o próximo está por vir
E mais vazio ele estará
Entrei e busquei o ar
De nada me serviu aguardar
Onde você está?
O final não dá para enxergar
Ninguém consegue entrar
107 minutos para chegar
Uma linha liga Urca à Central
Uma poesia para o caos total

Após uma aventura em 12.07.13
Para anteceder o próximo escrito...

                                                           
                                                                    É (quase) sexta-feira, amor!

20 de agosto de 2013



                                                             Paraty - RJ

Instante

Exaspero-me quando elas não vêm
Um buraco no peito
Uma página em branco
Um relâmpago
Susto
Brusco
Concentração
Cria ação

Criação

(14.07.13)

19 de agosto de 2013



Tantos postes
Tantos fios
Suplico uma mudança,
uma esperança
Para que tantas ligações,
se eu e você estamos desconectados?


13 de agosto de 2013

Re nova ação

    Na virada do ano são diversas as promessas e comprometimentos que as pessoas fazem. Quando passei para a faculdade não imagina que com o início dela poderia abrir minha mente de tal maneira  a querer aprender mais e mais. Me coloquei em uma situação similar de quem no dia 1º de janeiro pula as sete ondas. Todas minhas leituras que ficaram incompletas pelos caminhos do Ensino Médio deveriam ser terminadas a partir de agora. Não era porque eu não gostava de ler que eu as abandonava. Eu sempre gostei e espero que esse gosto permaneça até os últimos dias de minha vida, mas eram sempre desculpas como semanas de teste e prova que me desestimulavam e tomavam o tempo.

    Tudo isso para dizer que me encaminho para a conclusão da primeira leitura que ficou perdida no tempo. É um livro de crônicas e ele engloba minha paixão pelo Centro do Rio. A alma encantadora das ruas de João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto. Já havia começado a ler e gostado muito até onde havia chegado. Ele permite uma viagem através de uma perspectiva de um período bem diferente. Os textos contidos no livro foram publicado entre 1904 e 1907, momento em que o Rio de Janeiro ainda era capital federal. É bom andar naquelas ruas e imaginar todas as transformações e movimentos históricos que lá aconteceram, acontecem e acontecerão. A rua está lá e sempre será palco para os tatuadores, os músicos ambulantes, os mercadores de livros entre outras pequenas profissões como ele cita em suas crônicas, assim como para a miséria, muito retratada. Encantadora, já estava escrito no título. Para quem gosta de história, da cidade e de observar as pequenas ações cotidianas o livro é uma boa pedida.
 
    No final das contas não tenho domínio literário para analisar de forma mais crítica, mas não é minha intenção no momento. Nunca é tarde para resgatar aquele livro que ficou pela metade, ele pode conter uma narrativa surpreendente que talvez mude seu olhar, quem sabe sobre a rua. Fica o convite. O livro está disponível nesse link.

"Eu fui um pouco esse tipo complexo, e, talvez por isso, cada rua é para mim um ser vivo e imóvel."
                                           ( A alma encantadora das ruas - João do Rio - P. 33)



Veja só - Tibério Azul

"Eu comprei uma bike, uma Caloi colorida. Fiquei sem grana, porém pedalo o mundo, sinto a rua..."

7 de agosto de 2013

Máscara

Iludida ambição
Falsa sensação
O desejo do muito
Mas o pouco não se tem
Suficiente não é ter
É entender
Esmiuçar e deglutir
Falsa alucinação
Iludida personificação

(13.07.2013)

4 de agosto de 2013

Des
      necessária
      atenção gera
In
   coerência
   constante

(18.07.2013)

Reciprocidade

    Ela escrevia sentada aguardando o ônibus. Mil coisas na cabeça e ligada em tudo que acontecia a sua volta. Passa outro ônibus. Vêm dois e param juntos. Do momento que triste ela fica por não serem o seu. Ela sempre olha para os passageiros, gosta de observar as pessoas e dessa vez não foi diferente. Lá no final ele a olhava com um fone de ouvido e uma bonita barba. Reciprocidade de olhar. Os ônibus iam retornando ao seu caminho e um vendaval de poeira se instalou. Ela que estava na rua sentiu cada grãozinho nos seus olhos e abriu um sorriso de vergonha daquela situação. Ele continuava a olhando e passou a rir junto. Reciprocidade de sorriso. Ela mais envergonhada ficou. Parecia que o transporte não iria mais andar, mas era só sensação. O seu olhar seguia o dele e ele com um semblante de foi bom enquanto durou se despedia com um contido e sorridente tchau. Ela continuava escrevendo sentada com o olhar perdido - e a mente também.

"Olha pra junto dos meus pés, você consegue reparar o tempo de nós dois. E ver assim como se dança o  passo é feito de esperança. Espero amar depois"
                                                                                           A Visita - Silva

1 de agosto de 2013

Passado mais que presente

    Lembro que na 5º série, atual 6º ano, ganhei meu primeiro computador e nele arriscava os primeiros versos. No bloco de notas escrevia o que na época chamava de poesia, as quais eram guardadas em uma pasta assim intitulada.
    Sete anos se passaram e agora me proponho a retomar. O agora não é agora literalmente, ele foi, está sendo e será. Se nesse período eu escrevia não há dúvidas, mas ficou por aí solto no vento. O que não é mais meu propósito - senti falta do que eu havia escrito.
    Então que fique mais um registrado:

  Bastam meias palavras
              poucas palavras
  Eu e você
             silêncio.