20 de janeiro de 2017

Suspiro

E por quantas vezes vou ter que lembrar de você e te amar e te odiar? E por quantas vezes você precisa aparecer nos meus sonhos e reaparecer na minha mente (de dia, de tarde e a noite)? Esse eterno fantasma que provoca tanto amor e dor. Que eu te amo e também odeio te amar. E no fundo eu não entendo o que é. Não entendo a força e o poder que você tem em mim. Do jeito mais louco. Ano vai, ano vem e cá estamos. Ou melhor, cá estou. Longe, bem longe. Da última vez só eu sei como depois de tudo foi difícil. Como chorei, sozinha e escondida, por você. E eu odeio isso também. Porque por vezes você não merece minhas lágrimas. Você merece entender sobre certas coisas. Das que envolvem paixão, amor, respeito e como lidar com elas. Como lidar com o outro e ser honesto. Nas entrelinhas você pode ter sido. Sou eu que não sei aceitar Queria estar com você cara a cara. Como Marina Abramovic e Ulay Moma no MoMA. Eu e você. E o silêncio. Nós dois e nossas histórias ali no fundo dos nossos olhos. E todas as lágrimas que cairiam dos meus. E todos os muitos sorrisos que apareceriam na minha boca. Aquela que não aguenta mais esperar pelo nosso momento, pelo primeiro momento delas. De entrega e carinho. Como se naquele beijo, que poderia ser o único, estivessem imbuídas questões da vida toda. E como se no fim ouvíssemos todos que por nós fizeram votos. Mas ainda assim era o nosso silêncio. Até iniciar o vento que entra pela janela junto com o cheiro da chuva. Lentamente as cortinas de véu fino balançam suavemente. Elas dançam e nos convidam. Levantamos, juntamos um corpo ao outro e colamos nossos rostos. Colocamos uma música para tocar que a partir desse dia seria a nossa música. De um passo para lá e outro para cá nos envolvemos. E tudo o que passava na minha mente se vai. Sem ódio e sem rancor. Só eu e você. E nossas novas histórias e promessas de uma vida nossa. Como no fundo sempre desejamos. Eu e você no altar, e em todo lugar. Mas depois de viajar retorno a nós e a nossa dança. E a cada volta que eu dou penso que é um sonho e que logo logo vou despertar. E então a campainha toca. Já amanheceu e o carteiro traz notícias envelopadas. Mas essas não são suas. E se eu te encontrar nos próximos sonhos, os torne tão bonitos como na vida que criei para nós, por favor.
[2016]

28 de julho de 2016



Quando não há nós, somente sou
Não é totalmente ruim, pois há em mim essa vontade de escrever
Quando há nós, sinto o amor e a vida já é poesia bruta e viva
E ela me basta


15 de julho de 2016

O infinito do pôr do sol naquela estrada me fazia pensar no infinito de estradas que haviam em mim. Queria tanto chegar no ponto onde todas se cruzam para saber o destino delas. Enquanto cruzo cada uma com sóis amarelados, chuvas de granizo e céus estrelados, sigo atenta e forte a cada obstáculo que se apresenta. Dos tantos quebra-molas que já passei e dos tantos outros que vou passar, da redução da velocidade e daquelas brechas que a liberdade se realiza da melhor forma, sigo reto sem fim, ao encontro do sol. Tão quente e tão presente, como um abraço que faltava ao percorrer essas estradas só. Mas ainda há forças para percorrer cada uma e extrair algo novo nelas. A esperança, a resiliência e principalmente a paciência por saber que em cada estrada há algo novo a descobrir. E nada como aprender e ser mais forte para cruzar novas estradas e caminhos (da vida).

Julho 2016

Santa chuva

Minhas preces foram atendidas.
Não sei exatamente como isso procedeu, só conseguia ver e sentir aquela chuva que esperava há tempos.
Ela levava tudo.
Cada anseio, problema, dificuldade e inclusive a felicidade.
Providenciou uma nova vida que chegaria quando aquelas gotas se acalmassem.
Lágrimas firmes, brutas e incansáveis.
Tão derradeiras que fiquei exausta ao seu fim.
Já éramos uma em busca do nosso próximo ciclo.
Desloquei-me como mais uma nuvem.
Agora tão leve e limpa, para me reconstruir e escurecer para ser sua próxima lágrima.

Encontrado no bloco de notas,
Abril 2014

12 de julho de 2016

Ela para. Olha tudo a sua volta. Em uma volta 360 graus. De calor. 360 graus e nada. Olha cada rosto. Sente-se perdida. Só e cheia. Cheia das emoções e só delas. As quais a faziam dar mais uma volta. Por dentro e por fora de si. A pensar em cada palavra dita e não dita. Nas próximas a serem ditas. E nas próximas serem sentidas ao sair daquela boca. Deu mais uma volta e encontrou. O seu eu. E o dele. 

Julho 2016

11 de junho de 2016

Ao entrar aqui voltei ao tempo em que carregava um caderninho na bolsa e quase me obrigava a escrever alguma coisa todos os dias. Quando a inspiração, vontade ou qualquer outra coisa chegava rapidamente. As inquietações, indecisões e reclamações talvez não sejam muito diferentes. Mas eu sou outra, a cada dia uma, querendo contar e construir novas histórias, feita de amor da cabeça aos pés (e de música também). Cheia de vontade de continuar a escrever e criar e reinventar. Quem sabe um dia...

2 de maio de 2014

A história começa quando uma das situações que mais me deixa feliz nessa vida é descobrir que algum(a) cantor/cantora/banda que eu goste fará show em data e local acessíveis. O que provoca a possibilidade de decepção, na mesma proporção da felicidade, caso eu não vá. Partindo do pressuposto que o mês de maio será o mais preenchido de amor em forma de som junto a reflexão sobre o papel da música, para mim, em um filme, venho escrever. Apenas o fim, de Matheus Souza. Não me cabe contar a história do filme aqui, muito menos avaliá-lo. Basta dizer que até o final o filme me parecia ok, nada de extraordinário, mas com uma história que acabou me envolvendo até lá - alguns sabem da minha dificuldade. Certamente levou a algumas reflexões e imaginações, principalmente na cena da despedida, e das que proporcionaram ela. Mas o que colocou uma faca no coração ou fez o chão desmoronar foi quando a música "Pois é" começou a tocar. Pois é... Junto as cenas que passavam ao mesmo tempo, foi um elo de todo o filme e fez com que a história tivesse um ar mais sentimental e mais triste, mesmo não tendo isso tão marcante ao longo do tempo. Somos todos diferentes e aí está a graça, mas caso você seja daqueles(as) que se deixa levar e ser tocado(a) pela música, talvez compartilhe essa sensação ao ver o filme. E quanto ao motivo disso, a música, ela continua por ai, marcando e eternizando momentos - algumas vezes mais (intensamente e humanamente) que a fotografia. E que fique a vontade de ouvi-la mais e permitir-se envolver mais ainda.

"Avisa que é de se entregar o viver" (Música: Pois é - Los Hermanos)

"Esse é só o fim. O que realmente importa já foi feito. A gente já teve nossos momentos especiais. E é isso que importa no fim. Ter alguma coisa pra lembrar, alguma coisa pra nunca esquecer, alguma coisa que não tem fim." (Filme: Apenas o fim - Matheus Souza)