28 de setembro de 2013

Corpo manchado
jogado no chão
Estilhaços
de dor e amor

Petrificado ficou
ao ver o outro corpo
                               sua metade
no relento
ao lado de outro corpo
                                 sedento

Jogou-se
Pintou-se de vermelho
Para mostrar que o amor ressuscitou
No corpo que sobrou

26 de setembro de 2013

O lado bom do aleatório

    Quando sobra um tempo entre chegada e partida, provas e trabalhos busco ouvir música. Na verdade ela é que me chama para o seu mundo. Quem se distrai fácil é naturalmente domado pelo som do violão, pandeiro ou bateria. Vou indo e quando vi, adeus leitura. O comum nesses momentos é possuir a vontade de ouvir aquela música ou voz específica. Escolho e aperto o play. O álbum inteiro toca e depois a vida volta ao normal. Nunca fui fã do botão aleatório, sempre acreditei na premissa de que a pior canção iria tocar na hora errada...

    Belo dia ativei o misterioso aleatório. Talvez fosse uma dia de sorte. Talvez fosse um dia normal. A primeira música começou e sendo essa a escolhida não havia como decepcionar. Três, quatro minutos e bum! Essa música! Que dia especial ela me lembra! Mais um tempo e toca outra que me faz recordar do inesquecível show. E por aí foi... E por aí vai...

     Remediar para que? Se estiver ruim é só passar. Descobri no aleatório um motivo de felicidade. Como um encontro imprevisto com um velho(a) amigo(a), um beijo inesperado e um abraço apertado. Aliás, Tibério Azul comentou há poucos dias sobre a música presente em um abraço apertado, segue o link.

    De aleatório talvez nada ele tenha. Claro que manter músicas que você goste, para momentos bons ou ruins, é essencial. Sua mente controlará a recepção de cada surpresa da melhor forma. Quem sabe seu dia não torna-se mais vivo por conta de uma surpresa musical?

    Afinal, música guarda histórias, música guarda vidas!

24 de setembro de 2013

Durante umas semanas um livro de poesias do Mário Quintana vem me acompanhando. E dele se extrai...

Noturno citadino

Um cartaz luminoso ri no ar.
Ó noite, ó minha nêga
toda acesa
de letreiros!... Pena
é que a gente saiba ler... Senão
tu serias de uma beleza única
inteiramente feita
para o amor dos nossos olhos

Mário Quintana
                                          Vinicius de Moraes - Pra Que Chorar
Ignore-me se necessário
Indágme-me igualmente
Boca que não se cala
Mente que não para
Absorva-me se for possível
Ame-me igualmente

9 de setembro de 2013

Para não falar de amor, falo de você
Pássaro da sabedoria
Abrigo da esperança
Motivo da melancolia
Escopo da mudança
Para não falar de você, falo de nós
Da lembrança que ficou
Do que nunca existiu
Do seu olhar que me hipnotizou
E do que dele se extraiu
Para não falar de nós, falo de amor
Do pouco que sobrou
De um você, um eu, de nós.
Instante em que o sol não aparece
Minha mente enobrece
Efêmera disposição
            e satisfação
O silêncio da rua
Ruído interno
A leitura está leve
As palavras se contectam
O arranjo invade seu lugar
O sol está por nascer
Entorpecida
Inativa

(13.07.13)