17 de março de 2014

Pingado como uma gota qualquer
Jorrava amor por onde andava
Condensava-se em uma forma cristalina
Que por onde passava derretia quem o via
Em busca do estado perfeito,
Inatingível
Encontrava-se com outros mares
E fundiam-se
Para em um serem dois
Tão irreal,
Pois é incompleta a fusão
E eterno o estado [de] sólid[ã]o

18 de dezembro de 2013

Antagonismo

    Enquanto desembaraçava as pontas do cabelo, você do outro lado da cama dizia que estava tudo bem. As recordações já se foram -para um lugar secreto, porque se elas desaparecessem, ah, quão mais bela a vida seria! Você está no nono copo e ainda acha que tudo esta bem. Bem mal, talvez você tentasse dizer, pena que não sabe se expressar direito. Tão cheio de vazio, anulava qualquer esperança de um ser, e eu não sei o que fui achar em você. Já bastava um olhar seu para o meu despedaçar e eu desacreditar em mim por acreditar em você. Deitei e no silêncio busquei razões para a felicidade. Seus carinhos, tão raros mas intensos, tocaram meu corpo de uma forma tão real que abri os olhos. Ilusão de iludida. Fechei-os e retornei a pensar no início, me dei conta que há um mês te conheci, e o que você faz aqui? Se eu soubesse quem sou eu consideraria essa pergunta justa, mas se eu não sei quem eu sou, para que saber quem você é? Necessidade de necessitada. Mas se eu deixasse isso passar seria cheia de vazio, como você, e de nada teria adiantado pensar nisso tudo. Parece que eu voltava ao início. Ah, a iludida cheia de necessidade. Vazia de amor, mas cheia de amor guardado para quando estiver cheia de vazio. Iludida necessidade de amor.

3 de dezembro de 2013

Quero conversar
Falar sobre tudo
Falar sobre o mundo
Falar do perigo que é
Viver longe de tudo
Virada para o escuro
Do televisor ligado
Com o caos instalado

Mascarada de mim
Iludida por ela,
quadrada aquarela
Sem cor
Inibindo a dor
Entretendo nós, ator.

19 de novembro de 2013

Dançaria com você até a eternidade
Colada nos seus olhos
Desenhando nossos passos
Girando procurando a infinidade
(dos)
Tropeços nos próprios calos
Superados pelos abraços
Relevados pelos dobrados
Trilhados lado a lado
Passo a passo
Até a infinidade da eternidade

7 de novembro de 2013

Discurso

Embriago-me
Não cesso minha sede
E já vem o ponto final
Aqueço-me
Com o movimento de seus lábios
Sílaba por sílaba
Mas já vem a palavra final
Intonações se unem
Ecoam em mim
E se reunem
Para anunciar meu fim
Fotografia

Foto a vagar
Foto a gravar
Fotografar

Passarela

Passa a rua
Passa ela
Para a rua
Para ela 

20 de outubro de 2013

Pelo simples fato de existir
desapareço entre as minhas vielas
Aquelas que você tanto tentou invadir
E feito isso,
coloco-me no local mais remoto
Desfaço-me em feixes de luz
que alcançarão grandes velocidades
até voltarem as vielas
[tão singelas
E como luz, me conduzirei ao brilho eterno
Que é findável quando te vê
Breu meu
Nosso vazio
Tão escuro aos seus olhos
Tão iluminado aos meus